Descubra como o Islamismo, surgido no século VII, moldou uma fé global.
O Islamismo nasceu na Península Arábica no início do século VII, trazido por Muhammad (ou Maomé, como é conhecido em português). Atualmente, é a segunda maior religião mundial, com aproximadamente 1,8 bilhões de seguidores, predominantemente na Ásia e na África.
A palavra “Islã”, que vem do árabe, significa “submissão” e é derivada de “salam”, que quer dizer “paz”. Essa paz não se refere ao fim de conflitos, mas a um estado de harmonia entre corpo e espírito.
Os adeptos do Islamismo são chamados de muçulmanos (ou muçulmanas). Estes termos originam-se do árabe “muslim”, que traduzido é “submisso”. Dentro da fé islâmica, muçulmano é aquele que se submete a Deus, conhecido como Allah.
Assim como o judaísmo e o cristianismo, o Islamismo é uma religião monoteísta. Os muçulmanos acreditam em um único Deus, Allah. Essas três crenças são as principais religiões monoteístas do planeta.
A Incrível Origem do Islamismo: A Jornada de Muhammad
O Islamismo emergiu no início do século VIII, liderado pela figura de Muhammad, o profeta venerado dessa fé. Muhammad, nascido em 570 d.C. em Meca, enfrentou a perda dos pais ainda jovem e foi criado por seu tio, Abu Taleb. Tornou-se um próspero comerciante, percorreu o mundo em suas viagens e, aos 25 anos, casou-se com a viúva rica Khadija.
Pouco se sabe sobre Muhammad, além do fato de que ele frequentemente se retirava para orar e meditar. Em 610 d.C., durante um desses momentos de solitude, ele se refugiou numa caverna no monte Hira. Lá, o anjo Gabriel apareceu, chamando-o de rasul Allah (enviado de Deus).
Durante essa revelação, o anjo pediu que Muhammad recitasse um texto, e ele então recitou:
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Lê, em nome do teu Senhor que criou;
Criou o homem de algo que se agarra.
Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo,
Que ensinou através do cálamo,
Ensinou ao homem o que este não sabia.
Esse evento, conhecido como a Noite do Destino, marcou o início das revelações de Allah para Muhammad. Após esse momento crucial, o profeta passou dois anos sem novas mensagens, até que as revelações retornaram por volta de 612 d.C. Essas mensagens foram mais tarde compiladas por seus seguidores no Alcorão (ou Corão), o livro sagrado do Islã.
Com as revelações, Muhammad começou a pregar a palavra de Allah em Meca. Entre seus primeiros convertidos estavam sua esposa Khadija, seu primo Ali Talib, e Abu Bakr. Contudo, suas pregações sobre a crença em um único Deus começaram a incomodar as autoridades locais, pois elas ameaçavam os lucros da cidade provenientes da peregrinação religiosa.
Essa peregrinação estava ligada ao paganismo politeísta que dominava a Península Arábica na época. A crescente perseguição fez com que alguns muçulmanos fugissem para a Etiópia, enquanto Muhammad encontrou refúgio em Medina, uma cidade que acolheu sua mensagem.
Em 622 d.C., a mudança de Muhammad para Medina, conhecida como Hégira, deu início ao calendário islâmico. Jacques Jomier, um especialista em Islã, revela que, na época da Hégira, Meca contava com cerca de 200 adeptos do Islamismo.
Em Medina, o Islamismo floresceu, transformando-se em uma religião poderosa e estabelecendo um Estado. Muhammad assumiu a liderança da cidade, e os novos convertidos organizaram-se, atacando as caravanas de Meca. Um marco significativo foi a vitória na Batalha de Badr, em 624 d.C.
Além disso, surgiram pequenos conflitos com a comunidade judaica de Medina, que enfraqueceu após os muçulmanos derrotarem ataques contínuos de Meca, sendo que alguns judeus haviam formado uma aliança com a cidade rival. Em 628 d.C., uma trégua foi estabelecida entre Medina e Meca, mas, em 630 d.C., a cidade de Meca foi conquistada pelos muçulmanos após um desentendimento que rompeu a paz.
Com a conquista de Meca, o culto aos ídolos pagãos foi abolido e o Islamismo se espalhou por toda a Península Arábica. A religião se expandiu com sucesso até 632 d.C., ano da morte de Muhammad. Após sua morte, os seguidores do Islamismo levaram a fé para outras partes da Ásia, África e Europa.
Princípios Fundamentais do Islamismo: Crenças e Valores
O Islamismo é uma religião monoteísta que preza exclusivamente pela adoração de Allah. Os muçulmanos acreditam na onipotência e onisciência de Allah, considerando-o o criador do Universo. Frequentemente, Allah é descrito como “o Clemente, o Misericordioso”, uma expressão que permeia quase todo o Alcorão e que já mencionamos anteriormente.
Os muçulmanos reconhecem uma série de profetas enviados por Allah para transmitir Sua mensagem, sendo Muhammad o último e mais significativo entre eles. Outros profetas incluem Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus.
A crença na danação eterna é central no Islamismo, com a ideia de que aqueles que rejeitam a mensagem de Allah enfrentarão o fogo eterno. No juízo final, todos serão avaliados por Deus, e suas ações em vida determinarão seu destino.
Além disso, os muçulmanos consideram a Torá, os Salmos e a Suna (aceita apenas pelos sunitas) como textos sagrados e acreditam na existência de anjos, sendo Gabriel o responsável por revelar a mensagem a Muhammad. Entre todos os livros sagrados, o Alcorão é o mais crucial, escrito entre 610 d.C. e 632 d.C.
Os muçulmanos veneram três cidades como sagradas: Medina, Meca e Jerusalém. Meca abriga a Caaba, a estrutura mais reverenciada do Islamismo. Em Medina, destaca-se uma mesquita que preserva o túmulo de Muhammad. Jerusalém é o cenário de um evento mítico, onde o profeta foi transportado por um ser celestial até o sétimo céu para encontrar Allah.
Os Cinco Pilares do Islamismo: Fundamentos da Fé Muçulmana
O Islamismo é sustentado por cinco pilares essenciais que cada muçulmano deve seguir para praticar sua fé. São eles:
- Recitar o credo: “Não há outro deus além de Allah, e Muhammad é Seu profeta.”
- Orar cinco vezes ao dia: Sempre na direção de Meca.
- Jejuar durante o Ramadã: O mês sagrado de jejum e reflexão.
- Realizar o zakat: Doar 2,5% dos lucros para ajudar os necessitados.
- Visitar Meca: Fazer a peregrinação uma vez na vida, se possível.
Sunitas e Xiitas: As Principais Correntes do Islamismo
O Islamismo, como muitas religiões, é dividido em várias vertentes que interpretam os textos sagrados de maneiras distintas. Entre as principais correntes estão os sunitas e os xiitas, que juntos representam quase a totalidade dos muçulmanos hoje. Essas divisões têm suas raízes no século VII, logo após o surgimento do Islamismo.
A divisão surgiu após a morte de Muhammad, em 632 d.C. Os sunitas apoiaram a eleição de Abu Bakr, amigo próximo e um dos primeiros seguidores do profeta, como califa. Abu Bakr expandiu o Islamismo para além da Península Arábica. Já os xiitas discordaram, acreditando que o sucessor ideal deveria ser Ali Bin-Abu Talib, primo de Muhammad.
Hoje, os sunitas representam cerca de 90% dos muçulmanos e são conhecidos por uma abordagem mais flexível do Alcorão e dos textos sagrados. Em contraste, os xiitas, que compõem cerca de 10% da comunidade muçulmana, seguem uma interpretação mais literal dos textos sagrados e aplicam a Sharia (lei islâmica) de maneira mais rigorosa.
Islamismo no Brasil: Presença e Distribuição
O Islamismo é uma das religiões menos difundidas na América Latina, incluindo o Brasil. De acordo com o censo do IBGE de 2010, há cerca de 35 mil muçulmanos no país, um número modesto comparado à vasta população brasileira, que ultrapassa os 200 milhões de habitantes. Entre as cidades brasileiras, São Paulo se destaca como uma das mais significativas em termos de comunidade muçulmana.
