Comitê emergencial se reúne nesta quarta (14)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou para esta quarta-feira (14) um comitê emergencial para analisar o surto de mpox na África e o potencial de propagação global. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na última quarta-feira (7), através de seu perfil na rede social X (antigo Twitter).
Tedros destacou que a convocação do comitê emergencial foi impulsionada pelo registro de casos fora da República Democrática do Congo, onde as infecções têm crescido continuamente por mais de dois anos. Nos últimos meses, o cenário se agravou devido a uma mutação que intensificou a transmissão do vírus de pessoa para pessoa.
Ontem (13), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) classificou a situação da mpox na região como uma emergência de saúde pública de segurança continental. O diretor-geral da entidade, Jean Kaseya, anunciou a decisão, destacando a veloz disseminação da doença na África.
“Este não é apenas mais um obstáculo. A situação exige uma resposta conjunta”, afirmou. “Nosso continente já testemunhou inúmeras batalhas. Enfrentamos pandemias, surtos, desastres naturais e conflitos. Mesmo assim, em cada desafio, reagimos. Não como nações separadas, mas como uma África unida. Resilientes, criativos e determinados.”
O que é uma Emergência de Saúde Pública global?
Uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional” (ESPII) é o mais elevado nível de alerta emitido pela OMS para uma doença, conforme determinado pelo Regulamento Sanitário Internacional. Para que um surto seja categorizado como uma emergência global, são avaliados diversos fatores epidemiológicos, como o potencial de transmissão, a vulnerabilidade da população, a gravidade da enfermidade e a capacidade de afetar viagens internacionais, entre outros critérios.
Esse alerta destaca o perigo de a doença se espalhar para outras nações por meio da disseminação internacional e sublinha a necessidade de uma resposta global coordenada para conter o avanço da enfermidade. Em janeiro de 2020, por exemplo, a Covid-19 foi declarada como uma ESPII e, em março, foi oficialmente classificada como uma pandemia.
Estatísticas globais do mpox
Entre janeiro de 2022 e junho de 2024, a OMS registrou 99.176 casos confirmados de mpox em 116 países, além de 208 mortes causadas pela doença.
De acordo com o relatório de situação divulgado pela entidade na segunda-feira (12), só em junho, 934 casos foram confirmados em laboratório e quatro mortes foram notificadas em 26 países, “indicando uma contínua propagação global do mpox”.
As regiões mais atingidas em junho, conforme os números de casos confirmados, são: África (567 casos), América (175 casos), Europa (100 casos), Pacífico Ocidental (81 casos) e Sudeste Asiático (11 casos). O Mediterrâneo Oriental não registrou casos durante esse período.
Na África, a República Democrática do Congo responde por 96% dos casos confirmados em junho. Contudo, a OMS alerta que o país enfrenta dificuldades de acesso a testes em áreas rurais, resultando em apenas 24% dos casos clinicamente compatíveis e notificados como suspeitos sendo testados em 2024.
Pelo menos quatro novos países na África Oriental, incluindo Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda, reportaram seus primeiros casos de mpox – todos vinculados ao surto em expansão na região. Já a Costa do Marfim enfrenta um surto de uma variante diferente, enquanto a África do Sul confirmou mais dois casos.
Nova variante da mpox apresenta maior letalidade
No final de junho, a OMS emitiu um alerta sobre uma variante mais letal da mpox. A nova variante 1b, identificada na África Central, apresenta uma taxa de letalidade superior a 10% entre crianças pequenas, enquanto a variante 2b, responsável pela epidemia global de mpox em 2022, registrou uma letalidade inferior a 1%.
Vacina e prevenção contra a mpox
Nesta semana, a OMS divulgou um documento oficial solicitando que os fabricantes de vacinas contra a mpox apresentem pedidos de avaliação para uso emergencial das doses. Esse procedimento foi criado para acelerar a disponibilidade de vacinas ainda não licenciadas, mas que são cruciais em situações de emergência de saúde pública.
“Essa é uma recomendação com prazo limitado, fundamentada em uma abordagem de risco-benefício”, ressaltou a organização. No documento, a OMS solicita que os fabricantes de vacinas submetam dados que comprovem que as doses são seguras, eficazes, de qualidade assegurada e adequadas para as populações-alvo.
De acordo com a organização, a autorização para uso emergencial deve facilitar o acesso às vacinas, especialmente para países de baixa renda que ainda não aprovaram regulamentações próprias. Esse processo também permite que parceiros como a Aliança para Vacinas (Gavi) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) adquiram e distribuam as doses.
O que é a mpox?
A mpox é uma doença viral zoonótica, o que significa que pode ser transmitida de animais para humanos. A infecção ocorre por meio do contato com animais selvagens infectados, pessoas portadoras do vírus ou materiais contaminados. Os sintomas geralmente incluem erupções cutâneas ou lesões na pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e sensação de fraqueza.
As lesões podem ser planas ou ligeiramente elevadas, contendo líquido claro ou amarelado, e podem formar crostas que eventualmente secam e caem. O número de lesões pode variar de poucas a milhares. As erupções costumam aparecer no rosto, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas também podem surgir em qualquer parte do corpo, como na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.
Primeira emergência
Em maio de 2023, quase uma semana após reavaliar o status da covid-19, a OMS anunciou que a mpox também não seria mais considerada uma emergência em saúde pública de importância internacional. Em julho de 2022, a organização havia declarado a situação de emergência devido ao surto da doença em vários países.
“Assim como ocorreu com a covid-19, o término da emergência não significa o fim dos esforços. A mpox ainda representa desafios significativos para a saúde pública que demandam uma resposta robusta, proativa e sustentável”, afirmou, na época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.
“Casos associados a viagens, registrados em todas as regiões, evidenciam a ameaça persistente. Existe um risco especialmente para pessoas com HIV não tratado. É crucial que os países mantenham sua capacidade de testagem e seus esforços, avaliem os riscos, quantifiquem as necessidades de resposta e ajam rapidamente quando necessário”, alertou Tedros em 2023.
