Pesquisa da Fiocruz Brasília revela que o impacto do álcool no Brasil foi de R$ 18,8 bilhões em 2019. E não é só no bolso que pesa!
Você sabia que o álcool não apenas embriaga, mas também cobra um preço altíssimo em vidas e dinheiro? Pois é, meu amigo! Em 2019, o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil causou nada menos do que 104,8 mil mortes. Isso mesmo, 12 óbitos por hora. Um dado alarmante de um estudo realizado pela Fiocruz Brasília, em parceria com as organizações Vital Strategies e ACT Promoção da Saúde. E o que mais impressiona é que esse impacto não ficou apenas nas estatísticas de tragédias: o álcool custou ao Brasil nada menos que R$ 18,8 bilhões, só em 2019!
Esse levantamento, com o nome complicado de “Estimação dos custos diretos e indiretos atribuíveis ao consumo do álcool no Brasil”, revela que os custos diretos com hospitalizações e procedimentos médicos no SUS chegaram a R$ 1,1 bilhão. Agora, segura essa cifra: os custos indiretos, que envolvem perdas de produtividade por mortes prematuras, licenças médicas, aposentadorias precoces e muito mais, somaram R$ 17,7 bilhões.
E tem mais: dentro desse cenário, o impacto no sistema de previdência foi de R$ 47,2 milhões. Curiosamente, a maior parte desse custo (78%) é relacionada aos homens, o que soma R$ 37 milhões. Já as mulheres ficaram com a parte menor (22%), mas ainda assim representaram R$ 10,2 milhões desse valor.
O estudo foi baseado nas estimativas de mortes atribuíveis ao álcool da Organização Mundial da Saúde (OMS), e dá um choque de realidade: se você pensa que o álcool só traz diversão, saiba que ele custa muito mais do que você imagina. Vamos refletir!
“Dá para perceber, com base no estudo, que o consumo de álcool no Brasil tem um impacto brutal na saúde da população e, claro, no bolso do governo”, afirma Pedro de Paula, diretor-executivo da Vital Strategies, em comunicado.
“E diante desse cenário, fica claro que precisamos urgentemente adotar medidas como o imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas. A Organização Mundial da Saúde já apontou isso como uma das soluções para cortar o consumo e, consequentemente, o estrago que ele causa. Se diminuirmos o consumo, conseguimos salvar vidas e ainda economizar bilhões que hoje se vão com a conta do álcool”, complementa ele.
Homens Respondem por 86% das Mortes Relacionadas ao Álcool: Um Alerta Urgente
O estudo é claro: quando o assunto é álcool, os homens são os maiores alvos. Eles representam nada menos do que 86% das mortes relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. E, entre essas vítimas, a maioria perdeu a vida devido a doenças cardiovasculares, acidentes e violência. Ou seja, o álcool está diretamente ligado a tragédias que afetam não só a saúde, mas também o comportamento e as escolhas da pessoa.
Já as mulheres, que respondem por 14% dos óbitos causados pelo álcool, enfrentam um cenário um pouco diferente. A grande maioria dessas mortes (60%) está associada a doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer. Mas, por outro lado, o impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS) é bem menor para elas, representando apenas 20% do total de custos. Isso acontece porque, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNAS 2019), o consumo de álcool pelas mulheres é mais baixo do que pelos homens. Além disso, as mulheres tendem a buscar mais atendimento médico e fazer exames de rotina, o que ajuda na detecção precoce de doenças e tratamentos mais eficazes.
“Quando os homens procuram o serviço de saúde, muitas vezes já estão com a saúde bem mais comprometida, o que leva a mais hospitalizações”, explica Eduardo Nilson, pesquisador da Fiocruz e responsável pelo estudo.
Quando o assunto são os custos com atendimento ambulatorial relacionados ao álcool, a diferença entre os sexos diminui consideravelmente. No total, 51,6% desses custos são atribuídos ao público masculino. Isso prova que, mesmo com diferenças no consumo, o impacto do álcool afeta de maneira significativa a saúde de todos.
“Isso confirma que as mulheres procuram atendimento médico mais cedo que os homens: elas são responsáveis por quase metade dos atendimentos ambulatoriais, mesmo com o consumo de álcool entre elas sendo menor”, explica Nilson.
Porém, um dado preocupante está surgindo: o consumo excessivo de álcool entre as mulheres está em alta. Segundo o Vigitel, os episódios de abuso (quatro ou mais drinques em uma mesma ocasião) quase dobraram entre 2006 e 2023 no público feminino.
“Essa mudança de comportamento acende um sinal de alerta para uma tendência de aumento no número de pessoas consumindo álcool no Brasil, impulsionada pelo público feminino. E, claro, isso traz impactos sérios para a saúde e para os cofres públicos. Precisamos de um olhar mais atento para as mulheres, especialmente para conter esse crescimento alimentado por transformações culturais e pela própria indústria de bebidas, que está tornando seus produtos cada vez mais apelativos e unissex”, comenta Luciana Sardinha, diretora adjunta de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Vital Strategies.
Como o estudo foi feito?
O estudo da Fiocruz utilizou uma metodologia de análise comparativa de risco para estimar as frações atribuíveis a uma exposição (como fatores de risco ou proteção) em relação aos desfechos de saúde diretamente causados por essa exposição.
Foram consideradas as doenças e mortes associadas ao consumo de álcool, levando em conta a relação dose-resposta — ou seja, quanto maior a quantidade de álcool consumido, maior o risco relacionado aos desfechos. Para isso, o estudo se baseou em metanálises publicadas e em dados do Carga Global da Doença (GBD – Global Burden of Disease) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A estimativa da carga atribuível a cada doença foi realizada com base na prevalência de consumo de álcool para diferentes faixas etárias e sexos.
Além disso, as informações sobre os custos diretos foram retiradas de bases de dados públicas, como os sistemas de informação em saúde e relatórios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os custos diretos atribuídos ao consumo de álcool foram analisados a partir de dados de internações hospitalares (Sistema de Informações Hospitalares – SIH/SUS) e de procedimentos ambulatoriais (Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS), divididos por tipo de doença relacionada ao álcool, sexo e idade.
No entanto, os pesquisadores destacam que o estudo fez as estimativas com dados a nível nacional, sem considerar complementos de custeio por estados e municípios. Além disso, o levantamento não inclui os custos da rede privada de saúde nem as perdas econômicas totais para a sociedade.
“Portanto, embora quase 19 bilhões de reais por ano já seja uma cifra extremamente significativa, o custo real do consumo de álcool para a sociedade brasileira é provavelmente ainda muito maior”, afirma Eduardo Nilson, pesquisador responsável pelo estudo.
