A guerra em Kiev está mais quente do que nunca desde 1º de setembro
Desde 1º de setembro, a galera de Kiev tem vivido um pesadelo. Sério, tem sido só mais uma noite de caos após a outra. Exceto, claro, pela noite de 14 de outubro, quando a cidade finalmente conseguiu dormir sem ser interrompida pelos ataques russos.
E olha, não é exagero: todos os dias, os 4,5 milhões de habitantes da capital ucraniana são acordados pelo som estridente das sirenes, correndo pra se esconder onde dá, até em banheiro! Como se não bastasse, só na primeira semana de novembro, as sirenes soaram por impressionantes 43 horas.
Esses ataques não são só um sinal de que a Rússia ainda está com gás pra continuar atacando, mas também um reflexo da grande dúvida que paira sobre a Ucrânia: será que o apoio dos EUA e da Europa vai continuar firme? O futuro está mais nebuloso do que nunca!
Não só Kiev, mas também cidades como Kharkiv, Zaporizhzhia e Odesa têm sido bombardeadas com frequência nos últimos tempos, como se a Rússia tivesse um novo objetivo: quebrar a moral da população ucraniana. E, adivinha? Não tem sido fácil. Na noite de sábado (9), as defesas aéreas ucranianas se depararam com um recorde de 145 drones Shahed – um ataque gigante que só mostra a força da ofensiva russa.
O clima está ainda mais tenso com a Rússia ganhando terreno em Donetsk, enquanto as forças ucranianas, já exaustas e sem pessoal suficiente, tentam se manter firmes na linha de frente. O futuro é um grande ponto de interrogação, e, por enquanto, o cenário só piora.
Ansiedade Sem Fim: Uma Realidade Angustiante em Kiev
Imagina só a tensão que se vive em Kiev, onde a cada noite, as sirenes ecoam como um grito desesperado, e os destroços caem sem aviso, atingindo prédios, lojas e lares. Não dá pra fingir que isso não mexe com todo mundo, né?
Viktoria Kovalchuk compartilhou com o mundo o terror vivido ao ver os restos de um drone cair perto de sua casa, fazendo seu filho de apenas 6 anos, Teo, entrar em pânico. Ela contou que ele ficou tão assustado que se agarrou a ela, com medo de tudo ao redor. “Ele vive uma ansiedade constante”, disse a mãe, descrevendo um cenário que não sai da cabeça: “Nos últimos dois meses, com os bombardeios cada vez mais frequentes, a gente se refugia no banheiro ou desce pro abrigo no porão.” A sensação de insegurança é inescapável.
E não para por aí. Quando a mãe lembra das noites, ela não consegue se lembrar de uma só que tenha sido tranquila, sem a pressão de viver com o medo de uma próxima explosão. “Não me lembro de nenhuma ocasião em que tivemos uma noite de sono adequada”, revelou, com a voz pesada de quem carrega um fardo que parece não ter fim. A ansiedade é o novo normal, e em Kiev, parece que ninguém sabe quando essa noite de terror vai terminar.

Não é só a vida das pessoas que está sendo virada de cabeça para baixo em Kiev. Os negócios também estão levando um golpe pesado. Maksym, um proprietário de restaurante, relatou que destroços de um drone perfuraram o telhado de seu estabelecimento, causando um prejuízo de US$ 10.000. Mas ele não pensa em desistir: “Vamos restaurar tudo por conta própria e continuar trabalhando como temos feito”, declarou, com a determinação de quem sabe que a luta é diária.
Os alarmes constantes também criam uma onda de caos que toma conta da cidade. Com as sirenes soando, pontes são fechadas, o transporte público é interrompido e as duas partes de Kiev, divididas pelo rio Dnipro, ficam desconectadas, como se a cidade se partisse ao meio. Para o vice-prefeito Konstantin Usov, a situação é grave: “Durante os ataques, a cidade congela… Isso por si só causa enormes atrasos no funcionamento da economia da cidade.” Sem falar nas escolas, que muitas vezes ficam com as portas fechadas porque as crianças não podem frequentar as aulas durante os alertas.
E, por trás da linha de frente da defesa aérea, não estão apenas militares, mas também civis. Um exemplo disso é Yuriy Chumak, juiz da Suprema Corte da Ucrânia, que está à frente de uma unidade de defesa territorial. Ele contou que, além de juízes, a equipe é composta por um mix de figuras inusitadas, como um cantor de ópera e um apresentador de TV, todos unidos pelo mesmo objetivo. “Fazemos isso há mais de dois anos”, disse ele, mas, segundo ele, a intensidade dos ataques de drones atingiu um pico nos últimos dois ou três meses.

Em meio ao caos, a criatividade na defesa de Kiev é algo que surpreende – mas, ao mesmo tempo, a triste realidade é que o equipamento utilizado pelos ucranianos não é lá essas maravilhas tecnológicas. O pessoal tem se virado com o que dá: metralhadoras em telhados de oito prédios altos. “Os drones voavam baixo, então, era realista e barato derrubá-los com uma metralhadora”, contou Yuriy Chumak, um dos que estão no combate. E ele não mente: “À noite, estamos de serviço o tempo todo. Há ataques todos os dias agora.”
O que parecia ser uma tática para gerar medo, sem provocar grandes baixas, acabou resultando em tragédia. Pessoas como Mariya Troyanivska, uma jovem de 15 anos que foi lembrada por seus colegas como uma fonte de inspiração e alegria, perderam a vida nos últimos dias. Ela amava a vida e espalhava felicidade por onde passava, mas o ataque a destruiu, como tantas outras vidas.
E o impacto da guerra vai além do físico. O Instituto Internacional de Sociologia de Kiev vem monitorando o estado de espírito da população e, por mais resistente que o povo seja, a verdade é que o apoio à luta tem diminuído. De 73% em fevereiro, o número de pessoas que defendem a continuidade da guerra caiu para 63% no último mês. A fadiga está se espalhando, e o futuro, cada vez mais, parece um jogo de incertezas. A guerra não afeta apenas os corpos, mas também os corações, e Kiev segue na luta, mas com um peso crescente.
Linhas de Frente ‘Pesadas’: A Guerra se Intensifica na Região de Donetsk
A sensação de exaustão e incerteza está se espalhando entre os ucranianos, alimentada pelas notícias vindas das linhas de frente, onde os ataques russos continuam a desgastar as defesas da Ucrânia, especialmente ao redor de Pokrovsk, em Donetsk. E a situação não dá sinais de melhora. O comandante em chefe das forças armadas, Oleksander Syrskyi, declarou, no último sábado, que “a situação continua difícil e tende a escalar”. Ele explicou que, com a vantagem numérica em mãos, o inimigo segue avançando, concentrando seus esforços nas regiões de Pokrovsk e Kurakhove, como se cada pedaço de território fosse uma vitória estratégica.
O cenário no campo de batalha é agravado por dificuldades internas, como apontou o analista Konrad Muzyka, da Rochan Consulting, após uma visita de duas semanas à Ucrânia no mês passado. Segundo Muzyka, a maior complicação para os ucranianos é integrar de forma eficaz as tropas recém-mobilizadas, o que torna ainda mais desafiador manter a força militar coesa e bem preparada. Ele ainda mencionou, em uma postagem no X (antigo Twitter), que a incursão ucraniana na região de Kursk, na Rússia, acabou “esticando” ainda mais as já limitadas forças ucranianas.
Por outro lado, a criatividade está sendo um trunfo para a resistência ucraniana. Drones de diversos tipos estão sendo usados para infligir perdas ao exército russo. A artilharia aérea tem se mostrado um aliado essencial nas batalhas diárias, e Syrskyi revelou que, só no mês de outubro, mais de 52 mil alvos inimigos foram destruídos ou danificados pelos drones, um número impressionante que prova o impacto das novas tecnologias no conflito. Mas, mesmo com esses avanços, a luta segue sendo árdua e o caminho para a vitória ainda parece distante.
Embora os drones tenham se mostrado uma ferramenta eficaz, não podem, de forma alguma, compensar a dramática escassez de infantaria. Essa é a reflexão de Konrad Muzyka, que, em suas análises, tem destacado um dos maiores desafios da Ucrânia: a falta de soldados para repor as perdas no campo de batalha. Mesmo após a aprovação de uma lei no início do ano para melhorar a mobilização, a presença de unidades recém-mobilizadas continua quase imperceptível. Como ele escreveu no X, “temos uma situação em que os ucranianos não só não conseguem acompanhar a reposição de perdas, mas também perdem soldados em um ritmo cada vez mais rápido devido à queda do moral.”
O desgaste das forças ucranianas é ainda mais evidente à medida que as forças russas se tornam mais estratégicas, explorando com habilidade os pontos fracos na linha de frente. Esse movimento lhes permitiu destruir as defesas ucranianas num raio de 10 km ao redor de Pokrovsk, uma área-chave em Donetsk. A cada dia, o avanço russo se torna mais palpável.
Em outras partes da linha de frente, os ucranianos continuam na defensiva, com muitos analistas prevendo mais avanços russos no sul. Enquanto isso, as únicas vitórias ucranianas este ano foram em território russo, como a incursão surpresa na região de Kursk em agosto, que, embora simbólica, não alterou o equilíbrio da guerra.
Esse cenário, cada vez mais sombrio, tem gerado uma mudança no discurso entre os aliados da Ucrânia. As conversas sobre Kiev prevalecerem no campo de batalha começaram a dar lugar a uma nova prioridade: manter o suficiente de seu território para forçar o Kremlin a negociar. O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, foi claro: “Nenhuma capacidade isolada mudará a maré. O que importa são os efeitos combinados das capacidades militares da Ucrânia — e manter o foco no que funciona.”
Rym Montaz, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, também captou o clima crescente de pessimismo. Ele destaca que há um “consenso crescente e silencioso” de que as negociações, provavelmente exigindo a aceitação de perdas territoriais temporárias, são o único caminho para terminar o conflito. O foco, então, começa a se deslocar da vitória militar para a sobrevivência e a busca por um fim negociado para a guerra. A cada dia, a pressão para que a Ucrânia e seus aliados encontrem um meio de terminar a luta sem mais sacrifícios se intensifica.
Kiev se encontra em um dos seus momentos mais frágeis desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. A pressão para encontrar uma saída diplomática aumenta, mas a ideia de negociar com o Kremlin é um terreno altamente perigoso politicamente para o presidente Volodymyr Zelensky. Como aponta Rym Montaz, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, “a perspectiva de vender tal negociação é um campo minado político” para o governo ucraniano, que, ao mesmo tempo em que luta pela integridade territorial, se vê diante de uma realidade em que a vitória, conforme definida por Kiev—expulsar completamente as tropas russas de seu território—parece cada vez mais inalcançável.
Em um artigo recente na Foreign Affairs, Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations, argumenta que Washington precisa encarar a dura realidade da guerra e buscar um acordo que reflita um resultado mais plausível. “Não há nenhuma arma milagrosa que mude o jogo ou uma solução suspensa que permita à Ucrânia defender simultaneamente o que já controla e libertar o que não controla”, escreve Haass, deixando claro que a estratégia militar de longo prazo da Ucrânia precisa de uma revisão, pois as promessas de uma vitória total parecem distantes.
Apesar da situação difícil, as autoridades ucranianas mantêm uma postura corajosa. O Ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, reforçou no sábado que “estou convencido de que estamos todos unidos pelo objetivo de alcançar uma paz justa para a Ucrânia e parar a agressão russa… Estamos falando de uma paz justa, não de apaziguamento.” A tentativa de equilibrar os ideais de uma paz justa com a necessidade de negociações se torna cada vez mais delicada.
No entanto, o caminho para qualquer tipo de negociação permanece incerto. O Kremlin continua a afirmar que seus objetivos na Ucrânia não mudaram, com a anexação de quatro regiões do leste e sul do país como uma condição fundamental. Com as forças russas já controlando quase toda a região de Luhansk e partes significativas de Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson, o que representa cerca de 20% do território ucraniano, o panorama se torna ainda mais sombrio.
Conforme o analista Konrad Muzyka sugere, a Ucrânia precisará estabilizar a linha de frente e reconstruir suas forças para que possa, eventualmente, conduzir novas ofensivas e, quem sabe, forçar uma mudança no equilíbrio do conflito. O cenário é de incerteza, onde a resistência ucraniana tenta se manter firme, enquanto se prepara para uma possível necessidade de dialogar com um inimigo que continua avançando sem freios. O futuro de Kiev parece cada vez mais uma questão de sobrevivência, e menos de conquista.
Com o triunfo eleitoral de Donald Trump, a conversa sobre uma possível solução para o conflito na Ucrânia ganhou um novo fôlego. Trump, que já havia afirmado que poderia resolver a guerra em 24 horas, reiterou em setembro que “acho que é do melhor interesse dos EUA acabar com essa guerra e simplesmente fazê-la.” Sua postura pragmática, porém polêmica, coloca em evidência a crescente pressão por uma solução rápida e que, para muitos, beira a uma rendição parcial diante do Kremlin.
Uma das opções sugeridas por seu vice-presidente eleito, JD Vance, envolve a criação de uma zona desmilitarizada ao longo da linha de frente, com fortificações para evitar novas agressões russas. Embora a proposta tenha um apelo estratégico, ela esbarra na realidade de uma linha de frente mal definida, que se estende por centenas de quilômetros, tornando sua implementação não apenas difícil, mas quase impossível. Além disso, tal solução representaria uma recompensa para o Kremlin, permitindo-lhe manter o controle sobre territórios já tomados, enquanto exigiria garantias sobre a neutralidade da Ucrânia ou, no mínimo, a suspensão indefinida de sua busca por adesão à Otan.
Para o presidente Volodymyr Zelensky, qualquer proposta que envolva concessões territoriais, mesmo que veladas, seria um golpe duro, algo impossível de engolir sem firmes garantias sobre a segurança futura da Ucrânia. Além disso, a ideia de aceitar qualquer forma de neutralidade, especialmente após os pesados sacrifícios dos últimos 1.000 dias de guerra, seria insustentável para a maioria da população ucraniana, que já perdeu tanto em termos de vidas, recursos e moral.
A resistência ucraniana, como expressa Yuriy Chumak, juiz da Suprema Corte da Ucrânia, permanece firme: “Nosso humor é patriótico, não mudou, estamos prontos para ir até o fim.” No entanto, a mudança no cenário internacional, impulsionada pela ascensão de figuras como Trump, pode forçar Kiev a reconsiderar suas opções, colocando em dúvida até onde o país está disposto a ir para evitar mais destruição. O futuro da Ucrânia, portanto, permanece incerto, onde o desejo de vitória continua a se chocar com as pressões externas por uma paz que nem todos acreditam ser justa. O destino da nação pode estar mudando, mas a luta pela sua soberania e segurança segue, de maneira intransigente, em aberto.

Uma resposta
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