Criada em parceria com a UFMG, vacina brasileira contra malária deve começar a ser testada em humanos até janeiro
Sabe aquela notícia que dá um gás de esperança e orgulho? Pois é, uma vacina 100% brasileira, desenvolvida para combater o tipo mais comum de malária no Brasil e nas Américas, está prestes a dar o grande passo. Com o pedido de testes em humanos previsto para ser protocolado até janeiro, essa vacina, contra o Plasmodium vivax, já passou por uma fase pré-clínica cheia de resultados positivos, testando a qualidade, segurança e eficácia do produto. Ou seja, as expectativas estão lá em cima!
Hoje, a malária vivax ainda não tem vacina disponível – isso mesmo, é uma lacuna enorme no mundo da saúde. O parasita Plasmodium, transmitido por mosquitos Anopheles, é o responsável por essa doença. No Brasil, os tipos mais comuns são vivax, falciparum e malariae, mas até agora, só a vacina contra o falciparum foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para crianças na África subsaariana. Então, ter uma vacina contra o vivax é uma revolução no combate à malária.
“Este é um produto completamente inovador, e o melhor: feito inteiramente no Brasil! Desde o começo da pesquisa, há mais de dez anos, minha meta era criar uma vacina que fizesse a diferença. E estamos agora na fase final para conseguir a autorização para os testes clínicos!”, conta com entusiasmo a professora Irene Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, que lidera a pesquisa junto ao professor Ricardo Gazzinelli, da UFMG – o cara que também coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT-Vacinas).
O projeto, apoiado pela FAPESP, CNPq e Finep, está indo de vento em popa. Chamado de Vivaxin, o imunizante passou por testes rigorosos de boas práticas de laboratório e fabricação e foi apresentado no 2º Congresso de Inovação e Sustentabilidade do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), em setembro, com o CT-Vacinas da UFMG. Ou seja, é o tipo de notícia que a gente gosta de compartilhar – esperança, inovação e, acima de tudo, resultados promissores que podem salvar vidas em diversas regiões do mundo.
Sabe aquele momento em que a gente sente que algo grandioso está prestes a acontecer? Pois bem, a professora Irene Soares, da USP, acabou de dar a receita para revolucionar o campo das vacinas no Brasil! Ela explica que, no nosso país, sempre existiu uma lacuna gigantesca no desenvolvimento de vacinas, especialmente visível durante a pandemia de Covid-19. A pesquisa acadêmica geralmente se limita à etapa inicial, como descobrir antígenos, adjuvantes e testar a prova de conceito. Depois disso, as coisas geralmente esfriam, e o tão esperado produto final nunca chega – é o famoso “vale da morte” da ciência, onde as ideias morrem antes de se tornarem realidade.
Mas, o que é que acontece agora? Com essa parceria entre a USP e a UFMG, finalmente temos a chance de cruzar esse vale e ver a vacina contra o Plasmodium vivax chegar até os testes em humanos – tudo desenvolvido aqui, no Brasil! Isso é mais raro do que se imagina na ciência nacional, e Irene Soares não poderia estar mais empolgada. Ela revelou à Agência FAPESP: “Nosso objetivo é levar o produto até o fim, sem depender de processos externos. Isso é algo novo e audacioso para o Brasil!”
A conquista é ainda mais emocionante porque, em outubro, a patente foi solicitada pela Agência USP de Inovação e pelo Centro de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG, garantindo a proteção do processo de produção e a formulação final da vacina, com um adjuvante desenvolvido pelo CT-Vacinas. Os resultados dos últimos testes, que estão super promissores, devem ser publicados logo em uma revista científica. Preparem-se para mais boas notícias!
Além disso, os pesquisadores já tinham mostrado, lá em abril, que o imunizante gerou níveis altíssimos de anticorpos em camundongos e coelhos, mostrando ser super seguro e bem tolerado. A fórmula é uma verdadeira obra-prima da biotecnologia, combinando três variantes genéticas diferentes de uma proteína chamada PvCSP, que vem do Plasmodium vivax. Isso foi feito para garantir que a vacina cubra todas as variações da malária, e o resultado? Uma proteção mais eficaz e promissora contra a doença.

Aqui vai uma curiosidade que vai fazer você pensar: a malária vivax, uma das versões mais perigosas da doença no Brasil e em outras partes do mundo, tem uma proteína-alvo que é o verdadeiro “chefe” do parasita. Essa proteína se chama PvCSP e, ao contrário do falciparum, que é o vilão na África, o vivax tem três formas genéticas dessa proteína: VK210, VK247 e a variante P. vivax-like. E por que isso é tão importante? Porque ela é o componente mais abundante na superfície do esporozoíto (a forma do parasita que o mosquito transmite), sendo a chave para a infecção. Ela se liga aos receptores das células do corpo e aos anticorpos, tornando-se o alvo perfeito para a vacina.
Mas calma que vem mais! No estudo mais recente com a nova formulação da vacina, os anticorpos dos camundongos imunizados conseguiram detectar todas as três variantes da proteína. E o mais impressionante: em alguns casos, a vacina conseguiu impedir completamente a infecção (isso é o que chamamos de “proteção estéril”) e, em outros, conseguiu retardar a chegada do parasita no sangue. UAU, né?
E tem mais uma coisa super interessante: ao longo dos últimos anos, os cientistas não pararam de melhorar a fórmula. Eles testaram adjuvantes (substances que dão aquele “empurrãozinho” na resposta do corpo) para potencializar ainda mais o efeito da vacina. E, adivinhem? Um desses testes foi publicado em abril na renomada revista Frontiers in Immunology, com apoio da FAPESP.
Agora, vamos falar sério: a malária é uma doença endêmica que continua sendo um pesadelo, especialmente na região amazônica, e afeta a saúde pública global. Ela traz febre, calafrios, dores de cabeça e tremores, mas, nos casos mais graves, pode levar a hemorragias, convulsões e até alterações de consciência. Para tratar, o SUS disponibiliza medicamentos gratuitamente, mas os números são alarmantes. Até outubro deste ano, o Brasil registrou quase 118 mil casos da doença, e 80% deles foram causados pelo Plasmodium vivax. A situação entre os indígenas está ainda mais preocupante, com um aumento de 12% nos casos em relação ao ano passado – algo que exige uma resposta urgente.
O Dia Mundial contra a Malária, comemorado em 25 de abril, trouxe um alerta importante: a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu que os governos se esforcem ainda mais para combater a malária, doença que afeta de forma desproporcional povos indígenas, migrantes e populações em situação de vulnerabilidade. Afinal, a malária não é apenas uma questão de saúde, mas também de justiça social.
Em 2023, os países das Américas reportaram cerca de 480 mil casos de malária. Apesar de uma queda significativa desde 2017, quando o número foi de 934 mil, muitos países ainda estão longe de atingir a meta da OPAS: reduzir os casos em 75% até 2025. E é justamente aqui que a nova vacina brasileira contra o Plasmodium vivax se destaca como uma esperança real para mudar o cenário.
A luta contra a malária nunca foi fácil, e o impacto nas populações mais vulneráveis torna a questão ainda mais urgente. Agora, um avanço científico pode ser a chave para resolver parte desse problema. O estudo recente sobre a vacina contra o vivax tem sido uma verdadeira revolução no combate à doença. E se você é daqueles que adora acompanhar os últimos avanços da ciência, pode acessar dois artigos que explicam os detalhes dessa inovação. O primeiro, chamado “Non-clinical toxicity and immunogenicity evaluation of a Plasmodium vivax malaria vaccine using Poly-ICLC (Hiltonol®) as adjuvant”, está disponível no site da ScienceDirect e aborda a avaliação da toxicidade e da capacidade imunogênica do imunizante. O outro, com o título “Poly I:C elicits broader and stronger humoral and cellular responses to a Plasmodium vivax circumsporozoite protein malaria vaccine than Alhydrogel in mice”, pode ser encontrado na Frontiers e discute como a combinação de adjuvantes potencializou a resposta do corpo.
Esse é o tipo de avanço que pode colocar o Brasil na linha de frente no combate à malária, não só no nosso território, mas também em diversas outras regiões endêmicas do mundo. E com uma vacina feita aqui, no coração da ciência brasileira, o país se prepara para dar um passo gigante na luta contra uma das doenças mais desafiadoras da saúde pública mundial.

Uma resposta
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