Novos dados quentíssimos da revista The Lancet Neurology mostram que o sedentarismo, hábitos de vida nada saudáveis e as mudanças climáticas estão na lista dos vilões!
Olha essa: um estudo fresquinho da revista The Lancet Neurology revelou que os casos de acidente vascular cerebral (AVC) deram um pulo de 14,8% entre a galera com menos de 70 anos ao redor do mundo. E no Brasil, adivinha? Cerca de 18% dos casos atingem a faixa etária de 18 a 45 anos, segundo a Rede Brasil AVC!
Hoje, no Dia Mundial do AVC, é hora de ficar ligado nos riscos e na prevenção. O AVC rola quando o fluxo de sangue pro cérebro dá uma travada, fazendo com que as células nervosas na área afetada simplesmente “desapareçam”. Os principais causadores do acidente vascular são a obstrução dos vasos sanguíneos (o famoso AVC isquêmico) ou a quebra de um vaso (AVC hemorrágico).
O que mais choca é que, globalmente, o número de casos de AVC aumentou 70% entre 1990 e 2021, com um crescimento de 44% nas mortes e 32% nas complicações relacionadas à doença! No total, foram 11,9 milhões de novos casos no mundo! No Brasil, em 2024, aproximadamente 39.345 brasileiros perderam a vida por conta do AVC entre janeiro e agosto — isso dá uma média de seis vidas perdidas por hora, de acordo com o Portal de Transparência do Registro Civil (ARPEN Brasil).
A médica neurologista e membro da Rede Brasil AVC, Angelica Dal Pizzol, explica que já temos sinais de que os jovens estão enfrentando esse problema de forma crescente. “Esse aumento se deve a várias questões, como o sedentarismo e hábitos de vida pouco saudáveis, como uma alimentação desbalanceada, que podem resultar em obesidade, diabetes e hipertensão, mesmo entre os mais jovens. Além disso, as mudanças climáticas, o calor excessivo e a poluição do ar também são fatores que colaboram para essa triste estatística”, alerta.
Fatores genéticos e hereditários também entram na dança quando o assunto é o aumento do risco de AVC entre os jovens! Isso inclui doenças genéticas e hematológicas que podem ser uma verdadeira bomba-relógio. A neurologista explica: “Os jovens que possuem esses fatores de risco precisam de um acompanhamento mais cuidadoso e, claro, atenção redobrada com outras ameaças. Manter uma alimentação saudável e se mexer, praticando atividades físicas regularmente, é crucial para evitar a soma de riscos que podem turbinar as chances de um AVC!”
“Lembro da dor alucinante e depois apaguei.”
Giuliana Cavinato, uma empreendedora social cheia de vida, enfrentou um susto gigante aos 30 anos. Tudo aconteceu enquanto ela curtia um dia de wakeboard com os amigos em uma represa durante suas férias. Depois de uma queda inesperada, ela sofreu uma dissecção da carótida com o impacto da cabeça na água, desencadeando um AVC isquêmico.
“Quando voltei à superfície, a dor de cabeça era insuportável, mas eu achava que era só por causa da queda e do sol escaldante. Nunca pensei que poderia ser um AVC, afinal, eu era jovem”, relembra em uma entrevista.
Na tentativa de amenizar a dor, a primeira coisa que fez foi tomar um analgésico. No entanto, ao chegar ao local onde estava hospedada, ela desmaiou e teve que ser levada ao ambulatório do condomínio.
“O médico de plantão lá foi meu verdadeiro herói! Ele rapidamente percebeu que se tratava de um AVC e chamou uma ambulância. Enquanto meu namorado falava com meus pais por telefone, decidiram que a ambulância seguiria para a capital”, conta ela. “Depois, fui submetida a uma trombectomia, um procedimento em que o paciente fica acordado: um cateter é inserido pela virilha, passa pelo coração e pela carótida até chegar ao cérebro para ‘sugar’ o coágulo. Um stent foi colocado na carótida. E, sinceramente, lembro da dor alucinante e depois apaguei.”
Quando despertou, Giuliana se sentiu completamente desnorteada na UTI e levou um tempo para perceber que não conseguia se mexer direito nem falar.
A dificuldade para se mover e falar são alguns dos sinais que podem aparecer tanto em AVCs isquêmicos quanto hemorrágicos. Segundo o Ministério da Saúde, fique ligado nos principais sinais de um acidente vascular cerebral:
- Dor de cabeça intensa e que chega de repente;
- Fraqueza ou dormência na face;
- Paralisia, que é aquela dificuldade ou até a incapacidade de se mover;
- Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar;
- Perda da visão ou dificuldades para enxergar com um ou ambos os olhos.
Além disso, outros sintomas que podem aparecer incluem tontura, perda de equilíbrio ou coordenação, alterações na memória, dificuldade para planejar as atividades do dia a dia, náuseas, vômitos, confusão mental e até perda de consciência.
Jovens têm mais chances de sobreviver a um AVC, mas ainda enfrentam desafios!
De acordo com a neurologista Dal Pizzol, os pacientes jovens têm uma luz no fim do túnel quando se trata de sobreviver a um AVC e se recuperar das sequelas a longo prazo. Isso acontece porque a plasticidade neuronal deles é muito mais eficiente do que a dos mais velhos.
“Além disso, como eles tendem a ter menos doenças crônicas, isso funciona como um bônus, ajudando a diminuir a morbidade e a mortalidade”, explica a especialista.
Mas, mesmo com essas vantagens, o tratamento e a recuperação após um AVC podem ser uma verdadeira maratona, cheia de desafios, como revela Giuliana Cavinato. “Lembro que minhas terapias eram de segunda a sábado, começando às seis da manhã e só terminando à tarde. Era uma rotina intensa, meio alucinante, quando paro para pensar”, compartilha.
“Depois do AVC, é super comum sentir que você está ‘correndo contra o tempo’. Os médicos falam sobre uma ‘janela de oportunidade’ para a recuperação que vai de 6 meses a 1 ano após o AVC”, complementa. “Se você consegue se recuperar nesse período, perfeito! Mas, se não, precisamos nos ‘adaptar a viver com as sequelas que surgiram’. E isso pode ser bem desesperador para quem passou por isso”, desabafa.
Giuliana também relata que o AVC trouxe várias limitações à sua vida, incluindo a afasia, que é um distúrbio de comunicação que dificulta a expressão e a compreensão.
“Quando saí do hospital, olhava as placas na rua como se estivesse em outro país, tudo parecia escrito em russo ou grego… Eram várias palavras que eu simplesmente não conseguia entender”, relembra Giuliana. “Naquela fase, eu só conseguia soltar algumas palavras avulsas, escrevia meu nome todo errado e não conseguia me comunicar por muito tempo porque ficava exausta”, complementa.
Para enfrentar esses desafios, ela se dedicou a sessões diárias de fonoaudiologia. Mas as dificuldades não pararam por aí! Giuliana também lidou com sequelas motoras, com o lado direito do corpo paralisado e sem sensibilidade. “Eu me sentia metade morta. No começo, precisaram até me dar banho e me trocar… Minha autonomia foi para o espaço”, desabafa.
O processo de reabilitação para pacientes que sofreram um AVC pode começar dentro do próprio hospital, com o objetivo de restabelecer as habilidades funcionais, a mobilidade e a independência, tanto física quanto psicológica.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento do AVC é realizado em Centros de Atendimento de Urgência, que são as unidades hospitalares que servem como referência para atender esses pacientes. Nesses locais, são feitos procedimentos com trombolíticos, que ajudam a restaurar o fluxo sanguíneo em artérias ou veias “desfazendo” coágulos. Já a reabilitação pode acontecer nos Centros Especializados em Reabilitação (CERS).
Reabilitação Neurocognitiva
Diante dos desafios que a recuperação trouxe, Cavinato decidiu se aventurar até a Itália em busca de um novo tratamento. “A família do meu pai é italiana e, por sorte, tenho um primo lá que é fisioterapeuta. Quando ele soube do meu acidente, insistiu que me levassem para lá porque, no sistema de saúde italiano, existe uma reabilitação referência para tratamento de AVC”, conta.
Esse método incrível é a reabilitação neurocognitiva Perfetti, desenvolvida pelo neurologista Carlo Perfetti na década de 1970. O que a torna especial? Ela considera todos os processos motores, sensitivos e cognitivos envolvidos no movimento, ao contrário das abordagens tradicionais de reabilitação.
“Após uma lesão, é fundamental reintegrar os diversos processos cognitivos, como percepção, memória, planejamento e raciocínio. O objetivo principal é recuperar a harmonia entre mente e corpo, fazendo com que o cérebro e o corpo funcionem juntos de maneira integrada”, explica Cavinato.
Na reabilitação neurocognitiva Perfetti, os exercícios são personalizados para atender às necessidades específicas de cada paciente. Eles envolvem a resolução de problemas por meio de uma modalidade informativa criada sob medida e a ativação dos processos envolvidos, trabalhando os aspectos cognitivos, sensoriais e motores em conjunto.
Nesse processo, o terapeuta ajuda o paciente a buscar a informação que seu cérebro está tendo dificuldade de encontrar espontaneamente. Ao unir mente e corpo, o paciente retoma sua percepção e consciência, interagindo com o mundo de maneira mais natural e alcançando uma recuperação de qualidade superior.
“Fiquei um mês e meio na Itália, e foi indescritível conseguir, pela primeira vez, sentir meu pé de novo! Isso foi superimpactante”, relata, cheia de emoção.
Com base na sua própria experiência, Cavinato decidiu se tornar uma comunicadora sobre AVC. Ela criou um canal no YouTube e no Instagram para compartilhar sua história e inspirar outros. Em 2018, ela fundou o Instituto Avencer, com o objetivo de capacitar profissionais de saúde brasileiros na reabilitação neurocognitiva Perfetti.

Uma resposta
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