Aqueles “conselhos de saúde mental” no feed? Podem só estar querendo likes ou vendendo algo
Quando bate aquele perrengue emocional, muita gente corre pro TikTok, não pro consultório médico. Quem nunca?
Pasmem: 66% dos adultos no TikTok já se depararam com conteúdo de saúde mental por lá, segundo uma pesquisa fresquinha da KFF sobre desinformação na saúde em 2024.
“O pessoal entra no TikTok e, em algum momento, vai atrás de dicas ou orientações pra saúde mental direto ali”, conta o Dr. Thomas Milam, psiquiatra lá da Virgínia e chefe da Iris Telehealth, um serviço online de saúde mental.
E é compreensível: conseguir uma consulta com especialista pode ser caro e difícil, enquanto as redes estão ali no celular de todo mundo, a um clique de distância.
Pra Lindsay Liben, psicoterapeuta de Nova York, esse reconhecimento da saúde mental nas redes até é um avanço. “A galera está muito mais aberta a falar sobre saúde mental e buscar maneiras de se sentir melhor”, ela diz.
Mas… nem tudo são flores, né? Tentar se diagnosticar só pelos posts do feed não é a jogada mais certeira.
Postagens Confusas e Diagnósticos Furados
Liben manda o papo reto: muita coisa que rola nas redes vem de gente que, olha, não é profissional de saúde mental, e aí o que temos? Conteúdo que pode ser furada total! Pra você ter ideia, um estudo de 2023 publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders mostrou que 41% dos vídeos sobre autismo no TikTok tinham informações incorretas, e 32% ainda exageravam horrores nas generalizações. Complicado, né?
E não para por aí! Outro estudo de 2022 com 100 vídeos sobre TDAH, publicado no The Canadian Journal of Psychiatry, revelou que 52% das postagens continham info enganosa. Tipo, metade dos vídeos passando a visão errada!
O TikTok até se posicionou: segundo um porta-voz, eles têm um trampo firme com parceiros independentes pra combater a desinformação e até rotulam postagens duvidosas, além de oferecer um Centro de Segurança cheio de info confiável sobre saúde mental. A ideia é que, quando você busca conteúdo de bem-estar, o app te encaminhe pra fontes de verdade.
O Dr. Milam traz a real: diagnosticar algo só vendo post em rede social é osso, porque muitos sintomas se misturam e podem significar várias coisas diferentes.
“Tipo, tem sintomas de ansiedade e depressão — cansaço, baixa energia, dificuldade pra focar”, ele explica. “Pode ser ansiedade, pode ser depressão… Pode ser TDAH. Pode ser só uma noite mal dormida. Ou até um resfriado.”
Então, assistir a um vídeo sobre determinado problema pode deixar as pessoas com a impressão errada de que têm algo, quando na real pode ser outra coisa por trás dos sintomas.
E às vezes, o buraco é ainda mais embaixo! Liben dá um exemplo: um pai assiste a vídeos pra melhorar o sono do filho, mas será que ele está notando que a criança anda tendo pesadelos por causa de bullying na escola? Às vezes, o verdadeiro motivo dos sintomas tá bem escondido e vai além do que qualquer vídeo possa mostrar.
Às vezes, a galera acaba achando que está com um problemão de saúde mental quando, na real, é só a vida sendo vida. Sentir preocupação, ansiedade, tristeza e medo faz parte do pacote humano, comenta o Dr. Milam, que também dá aula de psicologia na Carilion School of Medicine da Virginia Tech.
Ele reforça um ponto importante: os profissionais de saúde mental treinam anos pra escutar e entender a fundo o que cada paciente sente, coisa que nenhum vídeo pode oferecer. A escuta ativa e especializada é essencial para um diagnóstico certo — e, convenhamos, seu feed não faz terapia.
Vendendo “Cura” no Feed? Produtos e Problemas Empilhados
Milam coloca a real: um dos maiores pepinos no conteúdo de saúde mental das redes é que muita gente tá lá pra vender alguma coisa, tipo suplemento de sono ou vitaminas, ou só pra fazer você voltar e consumir mais. E o pior? Algumas postagens de autoajuda pintam os problemas complexos como se fossem super fáceis de resolver com uma fórmula mágica.
“Pra crianças e adolescentes lidando com ansiedade ou depressão, soluções rápidas não vão dar conta”, avisa Milam.
Mas e quem posta isso? Muitas vezes nem avisa que a parada é mais embaixo.
“Os vídeos fazem tudo parecer simples”, comenta Liben. E aí, quando as pessoas tentam essas “receitas” e elas não funcionam, a frustração bate forte.
“Eles dizem ‘faça isso’ ou ‘siga esses passos’, e quando não rola, você pode acabar se sentindo pior ainda ou mais pressionado”, ela explica.
Onde Buscar Ajuda de Verdade para Saúde Mental
Se você vai buscar info sobre saúde mental online, Liben dá a dica: siga pessoas que realmente entendem do assunto, tipo médicos, doutores, assistentes sociais e conselheiros licenciados. Vale a pena dar uma olhada na formação deles, ver se explicam as fontes que usam e se baseiam em estudos sólidos.
Milam também sugere: acha que tem algo acontecendo com sua saúde mental? Converse com seu médico de confiança, como um pediatra ou clínico geral. Eles podem te orientar e conectar com especialistas na área.
No final das contas, encontrar o que tá realmente pegando costuma precisar de intervenções mais profundas que um vídeo de 30 segundos. E, por mais tentador que o feed possa ser, as respostas mais certeiras estão no consultório do terapeuta — não na timeline.
