Será que o mercado conseguirá despertar em nós o desejo por mais um gadget indispensável?
Já faz um tempo que os amantes de tecnologia previram que os anéis inteligentes seriam a próxima grande tendência. A recente apresentação da Samsung só confirma isso. Outras empresas, como a finlandesa fabricante do Oura, já tinham lançado produtos semelhantes. O Oura é um anel de titânio que monitora mais de 20 indicadores, como estresse, sono e oxigenação do sangue.
O novo anel da Samsung é similar, mas sua criação pela gigante sul-coreana dá um peso significativo ao conceito. Quando uma big tech aposta na ideia, é porque a tendência é forte. O anúncio foi feito na França, apresentando um anel de metal aparentemente comum, mas que monitora a saúde do usuário 24 horas por dia.
Além de monitorar frequências cardíaca e respiratória, o anel também analisa o ronco e acompanha o ciclo menstrual das mulheres. É um dispositivo que realiza menos funções que um smartwatch, mas é extremamente compacto.
Um detalhe importante é que, por não possuir tela, a bateria dura até uma semana, conforme a Samsung, dependendo do tamanho do anel. Eles recomendam usar no dedo indicador para otimizar o movimento de pinça, permitindo ações como tirar fotos ou desligar o alarme do celular, o que é bem interessante.
O anel é resistente à água, sendo possível molhá-lo sem problemas. No entanto, a Samsung não recomenda mergulhar com ele, pois isso pode danificá-lo.
Um ponto negativo é que o anel ainda não possui tecnologia NFC, que permitiria, por exemplo, realizar pagamentos com ele. Além disso, não é rastreável individualmente, mas esses recursos certamente devem ser aprimorados nas próximas versões. É bastante comum que um produto inovador dentro de uma empresa tenha menos funções iniciais, que vão sendo acrescentadas nas versões mais atualizadas.
O preço, na conversão direta e sem considerar taxas e impostos, fica em pouco mais de R$ 2.100. No entanto, sabemos que o anel deve chegar ao Brasil custando algo em torno de R$ 4 mil.
Considerando que adoro usar anéis e costumo pagar cerca de R$ 30 nos que compro nas barraquinhas de camelô da Avenida Paulista, esse é um preço muito alto. Mas, não poderia ser diferente no lançamento, dado que estamos falando de um gadget com MUITA tecnologia compactada no formato e no peso de um anel. E isso é realmente impressionante!
E é bom lembrar para quem curte o mercado secundário que pode ser complicado vender um anel usado, pois, como qualquer anel, ele tem medidas específicas. São 9 tamanhos ao todo, então o dono precisará encontrar alguém com o dedo do mesmo tamanho.
O anel da Samsung começará a ser vendido em alguns mercados específicos no final do mês. Infelizmente, o Brasil não está na lista dos países que receberão o produto nessa primeira leva. No entanto, entrei em contato com a Samsung, e eles informaram que o anel chegará oficialmente aqui ainda este ano.
O anel faz parte da categoria dos “wearables” ou “vestíveis”. Trata-se da tecnologia que se veste, que se usa. Nessa categoria estão monitores cardíacos de pulso ou fitas ao redor do peito, smartwatches, tênis de corrida que enviam dados de desempenho, óculos com câmeras integradas e realidade aumentada, fones de ouvido sem fio e agora, os anéis.
Que isso parece ser tendência, o mercado já sabe há muito tempo, mas será que realmente queremos mais gadgets?
Para mim, não é exagero ver esse segmento de smart rings como uma tentativa de criar mais um produto que “precisávamos” sem saber. E, para quem não usa smartwatches, pode ser uma opção interessante de tecnologia útil, especialmente para esportes ou monitoramento de saúde.
Sinceramente, ainda não vejo muita utilidade em um smart ring se você já usa um smartwatch. As informações coletadas são muito parecidas, e o único benefício evidente é monitorar o sono de quem não gosta de dormir com um relógio. Isso depende da percepção de valor do usuário e do famoso custo-benefício.
Vale a pena pagar tanto por um produto que trará benefícios pequenos, que talvez você já tenha? Acho que sim, mas sou early adopter, ou seja, gosto de usar novidades, testar e aprender com elas. Mas cada um tem sua própria resposta, isso é muito pessoal.
O ponto é que a novidade é super interessante, mas precisamos ver se as duas pontas mais interessadas nesse processo realmente vão aderir: quem compra e quem vende. Será que os smart rings serão a aliança que sela o casamento dos usuários com uma nova forma de cuidar de si mesmos? Ou será que o divórcio acontecerá antes mesmo do anel ir para o dedo? Só o tempo dirá!
