O ator contou como suas limitações o levaram a arrasar na comédia física
Quem não ama a cena icônica de “As Branquelas”, onde Terry Crews canta com toda a alegria a clássica “A Thousand Miles” da Vanessa Carlton, tudo isso em um conversível? Esse momento, agora super clássico, mostrou como Crews manda bem na comédia física, um estilo que o fez brilhar desde então.
“Às vezes, me sinto um Muppet ou um desenho animado!”, brincou Crews, rindo, sobre seu novo filme “The Killer’s Game”. Ele também comentou que foi ali, com os Muppets balançando a cabeça, que aprendeu a atuar.
Crews é um verdadeiro polivalente: ator, autor, atleta, artista e até flautista, sempre aberto sobre sua vida. Ele convive com uma deficiência auditiva chamada perda auditiva neurossensorial, um tipo comum de perda que rola quando o “ouvido interno ou o nervo auditivo se machucam”, segundo a Universidade Johns Hopkins.
“É meio doido, porque eu uso aparelhos auditivos e sempre enfrentei problemas de audição”, contou Crews. “Muita gente acha que tô ignorando, mas se não estiver olhando pra você, não consigo ouvir. Eu leio lábios e observo as pessoas, e fazendo isso, me tornei um ator melhor.”
Ele comentou que lidou com isso desde a faculdade, muito antes de ser ator, aprendendo a se virar em conversas, mesmo sem ouvir.
“Fiz isso por muito tempo… É uma daquelas manhas que você pega pra se adaptar, especialmente com uma deficiência”, disse.
Mas, sempre com seu jeito otimista, o ex-jogador de futebol encontrou um jeito de transformar sua deficiência em algo positivo.
Crews construiu um legado fazendo a galera rir, usando seu corpo pra transmitir humor — seja nos comerciais épicos da Old Spice ou como o assassino charmoso Lovedahl em “Killer’s Game”. Essa habilidade, ele desenvolveu enquanto lidava com a perda auditiva, prestando atenção nas pessoas e em seus trejeitos.
“Percebi que isso me ajudou como ator, pois me fez espelhar as pessoas, observar expressões faciais e entender o que estão sentindo, além de aprender a expressar emoções com o corpo, não só com palavras”, revelou ele.
A cena viral no carro de “As Branquelas” catapultou a carreira de Crews em Hollywood, levando a créditos como a amada série “Brooklyn 99”, “Todo Mundo Odeia o Chris” e a nova série animada “Todo Mundo Ainda Odeia o Chris”, além de ser o apresentador de longa data do “America’s Got Talent”.
Crews destaca seu papel em “As Branquelas” como um marco na comédia física, afirmando que todas as atuações no filme – não só a dele – são “totalmente físicas”.
“Há uma razão pela qual esse filme continua sendo, 20 anos depois, um dos favoritos de tanta gente”, disse Crews. “Porque aprendemos a nos emocionar com nossos corpos, então, mesmo que você não entendesse, ainda assim captava a mensagem. E isso é lindo.”
