Pesquisas revelam sucesso no combate ao tumor cerebral agressivo
Cientistas da América do Norte descobriram um tratamento inovador com resultados promissores na luta contra o glioblastoma, o mais feroz câncer cerebral. Publicado na renomada Nature Medicine no último dia 2, este avanço oferece uma nova perspectiva para a erradicação do tumor.
O glioblastoma é um tumor altamente invasivo e de crescimento rápido, originando-se das células da glia, que sustentam os neurônios no sistema nervoso. Esse câncer afeta predominantemente indivíduos acima dos 40 anos e pode estar associado a síndromes neurológicas específicas. O principal sintoma é uma dor de cabeça persistente, geralmente mais intensa pela manhã.
Atualmente, a cirurgia é o tratamento predominante para o glioblastoma, buscando remover o máximo possível do tumor. Terapias adicionais, como quimioterapia e radioterapia, também são empregadas. Contudo, a doença pode retornar dependendo da gravidade, comprometendo as chances de sobrevivência.
O estudo recente demonstrou que o novo tratamento foi eficaz em reduzir em 50% o retorno das células cancerígenas em duas das três condições testadas (glioblastoma adulto, metástase cerebral de câncer de pulmão em adultos e meduloblastoma pediátrico) em modelos animais pré-clínicos.
Para alcançar esses resultados, os cientistas empregaram uma avançada tecnologia de edição genética em larga escala, analisando padrões genéticos tanto do diagnóstico inicial do glioblastoma quanto do seu retorno após tratamento convencional. Eles identificaram que um eixo de sinalização crucial para a estrutura cerebral normal pode ser corrompido pelas células cancerígenas.
“No glioblastoma, acreditamos que o tumor sequestra essa via de sinalização, utilizando-a para invadir e se espalhar pelo cérebro”, afirma Sheila Singh, coautora sênior do estudo, professora de Cirurgia e diretora do Centro de Descoberta em Pesquisa do Câncer.
“Se conseguirmos interromper esse caminho, nossa esperança é conter a disseminação invasiva do glioblastoma e eliminar células tumorais que não podem ser removidas por cirurgia”, acrescenta Singh.
Como Age o Novo Tratamento?
Com base nas descobertas, os pesquisadores atacaram a via de sinalização sequestrada pelas células tumorais com diversas abordagens. Uma estratégia utilizou um medicamento desenvolvido pelo grupo de John Lazo na Universidade da Virgínia. Outra técnica inovadora, desenvolvida por Kevin Henry e Martin Rossotti no Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, empregou células CAR-T para atacar a via sequestrada diretamente no cérebro.
Nessa abordagem revolucionária, a equipe focou em uma proteína chamada Roundabout Guidance Receptor 1 (ROBO1), que atua como um “GPS” para orientar certas células.
“Desenvolvemos uma terapia celular em que as células são extraídas do paciente, modificadas geneticamente e depois reinseridas com uma nova função”, explica Chirayu Chokshi, autor principal do estudo. “Nesse caso, as células CAR-T foram editadas para reconhecer e atacar ROBO1 em células tumorais em modelos animais”, conclui Chokshi.
Nas três condições testadas, o novo tratamento conseguiu duplicar o tempo de sobrevivência dos pacientes. Em dois dos três testes, o tratamento levou à eliminação do tumor em pelo menos 50% dos camundongos avaliados.
Os pesquisadores acreditam que essa abordagem inovadora pode ser útil também para outros tipos de câncer cerebral invasivo.
“Estamos apresentando uma nova terapia CAR-T com resultados pré-clínicos extremamente promissores em diversos modelos de câncer cerebral maligno, incluindo glioblastoma recorrente”, declara Singh. “Nossa nova terapia CAR-T parece estar pronta para avançar para mais desenvolvimento e ensaios clínicos”, acrescenta.
